Testemunhos

Poema feito pela Dra. Hélia Domingos

Café Memória Faz-se à Estrada de Peniche

Clique na imagem para ler o poema feito pela Dra. Hélia Domingos, por ocasião da sessão do Café Memória Faz-se à Estrada de Peniche.

Testemunho do Sr. Célio | participante do Café Memória de Viseu

maio 2018

Clique na imagem para ler o poema oferecido pelo Sr. Célio, por ocasião do 3º aniversário do Café Memória de Viseu. 

Maria Clotilde Moreira - Participante do Café Memória de Oeiras

"Palavras e sonhos" - CAFÉ MEMÓRIA E A PRAIA DE SANTO AMARO

"Pois aconteceu no último sábado de Agosto. As responsáveis do Café Memória de Algés organizaram uma surpresa. Pelas dez da manhã subimos para a camioneta da C.M.Oeiras e parámos no Jardim de Santo Amaro de Oeiras e devagar lá descemos até à praia. Foi mesmo muito agradável andar no passadiço estável que se estende pela areia até à zona que nos tinha sido reservada. Puxaram-se as cadeiras, montaram-se os chapéus, algumas ficaram em fato de banho. E claro fixou-se o painel indicando que estávamos com o Café Memória. As responsáveis ajudaram a espalhar o creme de protecção, ouviram-se algumas recordações de idas à praia.

Depois começámos a interiorizar o espaço: muita gente, dois bombeiros voluntários a ajudar. O rapaz ficou mais com os visitantes do Café Memória, a senhora estava a dar apoio aos utilizadores de um espaço ali reservado para quem se movimenta em cadeira de rodas. É que esta praia tem disponível

uma “cadeira” especial que transporta as pessoas com dificuldades até à água e com a ajuda da voluntária.

À entrada, uma banca disponibilizando cinzeiros. A praia dispõe de casas de banho adaptadas às pessoas que se movimentam com dificuldades dando-lhes a privacidade que precisam. Do que fui registando, esta iniciativa que já tem alguns anos começou com propostas da CERCIOEIRAS e os utentes de mobilidade condicionada da Centro Nuno Belmar da Costa podem vir nas suas cadeiras automáticas até aqui.

 

E nós à sombra dos chapéus fomos comendo umas fatias de bolo e bebendo umas garrafinhas de água que o calor era muito, e sabendo que esta iniciativa de praia com apoio a pessoas com dificuldades é só até ao fim de Agosto e começaram as interrogações porque não se devia alargar.

Este ano ainda não tinha ido à praia e aproveitei para ir até à borda de água molhar os pés e aconteceu um milagre: comprei uma bola de Berlim, daquelas muito fofas com creme. As bolas de Berlim só são espectaculares na praia, tiradas dentro das caixas que os rapazes de chapéus de abas largas transportam apregoando: “bolinhas…as…as” de Berlim! Era assim quando, muito miúda, corria pela praia de Paço de Arcos. Mesmo as melhores pastelarias não têm à venda as bolas fofas e saborosas vendidas à borda de água nas nossas praias. E pelo meio-dia pegámos nos nossos sacos e lá viemos até ao Jardim de Santo Amaro de Oeiras apanhar a camioneta que nos trouxe de regresso a Algés.

 

Estas iniciativas do Café Memória de Algés vão tornando estes encontros mensais numas horas muito agradáveis de convívio."

Magna Costa - Professora de Biodanza

sessão do dia 22 de julho de 2017, Café Memória de Viseu

"Momentos únicos onde partilhámos a felicidade de estarmos juntos! A palavra Felicidade foi mesmo verbalizada no fim, mas os sorrisos e os olhares brilhantes espelhavam essa vivência. Foi simplesmente lindo, onde senti a plenitude de Ser."

Participante do CAFÉ MEMÓRIA de Viseu

sessão do dia 25 de março de 2017

"Gostei de ter participado neste Café Memória, ajudou me a refletir enquanto ser humano, como são importantes os valores, o amor e a partilha. É preciso acreditar... Obrigado!"

Miguel Costa Gomes - Presidente da Câmara Municipal de Barcelos

"Esta iniciativa conjunta entre diferentes instituições reflete a política deste executivo que aposta na promoção e concretização de parcerias e projetos que contribuam para uma comunidade mais inclusiva e socialmente responsável. Neste sentido, a criação de um CAFÉ MEMÓRIA, no concelho de Barcelos, representa uma vontade maior para a construção de laços sociais fortes, bem como o combate à estigmatização das pessoas com problemas de memória ou demência junto da comunidade local. A criação deste espaço, que para nós é um motivo de orgulho e reflete o trabalho que temos vindo a fazer todos os dias, proporcionará uma intervenção inovadora, num contexto informal, quebrando barreiras sociais e facilitando os apoios para melhorar a qualidade de vida das pessoas com problemas de memória ou demência e dos seus familiares e cuidadores.”

Joaquim Barbosa - Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Almada

"A Santa Casa da Misericórdia de Almada assume a qualidade de entidade promotora local do CAFÉ MEMÓRIA, consciente do aumento exponencial das pessoas com demência e das dificuldades que, de forma cada vez mais premente, se colocam aos seus cuidadores”. E acrescenta que “A assinatura deste protocolo é um momento importante para Almada, sendo de assinalar de forma muito positiva o facto de a Câmara Municipal integrar e apoiar tanto financeiramente como em termos logísticos, a parceria. Assinala-se também a adesão de muitas instituições. Estamos certos que o funcionamento do CAFÉ MEMÓRIA no concelho de Almada assim como a aprendizagem que dele resultará para todos nós, muito contribuirão para uma melhoraria contínua do acompanhamento das pessoas com demências, aproveitando os conteúdos e a experiência da Rede CAFÉS MEMÓRIA.”

Filomena Loff Barreto - Participante

"É contranatura ser cuidadora dos pais, porque deixamos de ser filha para nos tornarmos a mãe dos nossos pais. Existe uma ambivalência muito grande que nos provoca um sofrimento difícil de descrever. Primeiro negamos o que nos está a acontecer, depois revoltamo-nos e depois cuidamos com muito amor. Mas apercebemo-nos que o amor só não chega porque quando lidamos com a demência fazem-se lutos diariamente e a dor é tão forte que muitas vezes torna mais difícil a tarefa de querer cuidar e leva-nos à exaustão. E depois não é cuidar de um só, eu cuido dos dois, pai e mãe.
Para que a tarefa se torne possível muitas cedências têm que ser feitas mas na base de tudo está o companheirismo de quem vive connosco e nos compreende ajudando-nos nesta difícil missão. 
Lidar com a demência é lidar todos os dias com o desconhecido, uma vez que cada dia é diferente do outro. 
É importante que existam ajudas de modo a que o cuidador descanse mas infelizmente nesse e outros aspetos muito falta fazer."

Mensagens para a Demência - Participantes do CAFÉ MEMÓRIA Porto

No encontro do CAFÉ MEMÓRIA Porto que se realizou em outubro de 2016, os participantes tiveram a oportunidade de escrever uma mensagem dirigida à doença que tanto impacto tem tido nas suas vidas...a Demência. Mensagens carregadas de emoção que refletem a voz e os desejos destes participantes.
"Demência sua malandra, porque tomaste conta do meu marido?
Já não é nosso, é teu!
Éramos tão felizes e agora não somos, embora tenhamos a noção que ainda vai ser muito pior.
Mas como demência rima com paciência, contamos com esta para nos apoiar.”
“Olá Demência:
apesar da demora para a cura, estamos disponíveis com a nossa paciência!”
"Olá Demência,
- Que pena estar aqui, mas devo cá estar;
- Surgiste de imprevisto e és imprevisível;
- Não gosto de ti;
- É uma pena tornares-te um apagão lentamente;
- Quero que te vás embora, mas é impossível.
Conclusão: vieste sem te chamar e não há meio de ires embora. Tentamos conquistar-te todos os dias."
"Bom dia Demência,
Não estamos à tua espera! Mas se vieres, prometemos tratar-te bem, para que não voltes!”
“Querida Demência,
- Bom jour tristesse. Finalmente
- Quero-te esquecer
- Roubaste-me a minha mulher/vida
- Apesar dos esquecimentos e desorientação, o sentido de humor também é importante
- Vivi bem, tive filhos e uma esposa que amei profundamente. Viajei e trabalhei. Agora, supera isto!”
"- Demência, vai-te embora para não mais voltares
- Alzheimer, nunca devias ter nascido
- Dá-me lucidez para te reconhecer e aprender a conviver contigo"

Participante do CAFÉ MEMÓRIA da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

"No Café Memória encontrei um marco importante na minha vida:

- Enriquecimento

- Aprendizagem

- Solidariedade

- Partilha

- Relacionamentos saudáveis e maravilhosos entre equipas e voluntários.

Café Memória, um caminho a percorrer e a aprender!"

Rubina Leal - Secretária Regional da Inclusão e Assuntos Sociais

"Implementar este projeto na Região Autónoma da Madeira é para nós motivo da maior satisfação, pois será mais uma resposta fundamental e inovadora de apoio às pessoas com a doença de Alzheimer e aos seus cuidadores, a quem temos dedicado uma atenção especial através do Plano de Demências. Estamos empenhados em assegurar que o nosso contributo permita melhorar a vida destas pessoas e encontrar nestes momentos de partilha a energia suficiente para continuar.”

Isabel Fragoeiro - Presidente da Delegação da Madeira da Associação Alzheimer Portugal

"O início do CAFÉ MEMÓRIA da Madeira cria mais uma oportunidade de participação e realização para todas as pessoas com demência, familiares, cuidadores e amigos. Pretendemos que usufruam do prazer de se sentirem Pessoas de pleno direito, integradas e apoiadas num grupo que partilhe interesses e memórias, afetos e expetativas, recriando através da ação e da interação social libertas de preconceitos, sentidos diferentes e significativos, na história biográfica de cada um dos participantes e do coletivo. Enquanto Delegação Regional da Associação Alzheimer Portugal é a qualidade de vida e a dignificação quotidianas dos que conosco partilham experiências e vidas, que nos impulsionam a progredir. Congratulamo-nos pela conjugação voluntária e empenhada de vontades e pelo reforço dos vínculos sociais entre os diversos parceiros desta iniciativa, que permitiram esta concretização, rica de expetativas e de esperança, no reforço do potencial de cada Pessoa envolvida. É nosso desejo que todos contribuam com o melhor de si na construção humanista do Bem Social e de Memórias Coletivas com significado”

Pintura de uma das mais novas participantes do CAFÉ MEMÓRIA Colombo 

Participante do CAFÉ MEMÓRIA Viana do Castelo

Participantes do CAFÉ MEMÓRIA Porto 

Testemunho de uma cuidadora

No Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer, a Rádio Renascença entrevistou uma cuidadora. 

Anabela Lima cuida do marido com demência há cerca de 8 anos. Clique aqui para ouvir o seu testemunho.

Participante do CAFÉ MEMÓRIA Viana do Castelo

1º Aniversário

Luísa Sanches Valle - Diretora do Programa Gulbenkian de Desenvolvimento Humano

"Um ambiente informal propício para uma conversa entre amigos é o que caracteriza um café. Reunir os familiares e amigos de pessoas com demência à volta da mesa para os ouvir e iluminar caminhos, é o mérito do Café Memória. Um grupo de empenhados voluntários e de técnicos da Alzheimer Portugal dão corpo a esta iniciativa que passado um ano já melhorou seguramente a vida de muitas pessoas.”

Paula Guimarães - Fundação Montepio

“O Café Memória é um projeto inovador que permite desdramatizar a vivência da demência, partilhar experiências e estratégias e valorizar os cuidadores e os doentes. A forma informal como aproxima pessoas à mesa do café e exercita as boas memórias é um exemplo extraordinário do poder da relação e do afeto. Para a Fundação Montepio é uma honra participar neste projeto nacional, tanto mais que este Café Memória se realiza na Atmosfera M, espaço mutualista e de entreajuda.”

Luciana Rosado - Artista Plástica

"Participar no Café Memória como dinamizadora de uma sessão foi um privilégio, uma valiosa aprendizagem e uma verdadeira emoção! Durante a minha formação, em Inglaterra, acerca da relação entre arte, reminiscência – relembrar o passado – e a sua relação com a melhoria do bem-estar nas pessoas que vivem com demência e seus cuidadores, tive a iniciativa de contactar a equipa do Café Memória para que pudesse assistir a uma sessão, em Lisboa. Como resultado desse pedido, foi-me sugerido dinamizar uma sessão que tocasse no tema da Reminiscência. Desde logo, pensei em realizar uma sessão que girasse à volta do tema da Infância, para que os participantes pudessem recordar os seus bons velhos tempos, através do contacto com objetos antigos como fotografias, brinquedos, livros ou utensílios de casa, e da ativa partilha das suas histórias e memórias em grupo.

O que guardei desta minha primeira experiência em liderar um grupo,​ neste contexto​, foi o carinho e entusiasmo com que todos me acolheram e participaram ativamente nas atividades! Uma nova estrutura e proposta foi apresentada ao grupo e tenho de agradecer a generosidade com que toda a equipa do Café Memória e os seus participantes acolheram e apoiaram esta nova experiência. Foi emocionante testemunhar como este tema fomentou a comunicação entre todos, a alegria com que partilhavam as suas histórias e a iniciativa que tiveram em expressar-se através do gesto e do desenho.

Espero que as ideias de atividades apresentadas sejam vistas como sementes plantadas que possam florescer e serem reproduzidas em casa, no seio das suas famílias, para que novos momentos de alegria e partilha possam surgir."

Marlene Rodrigues - Vereadora da Ação Social da Câmara Municipal de Oeiras

“A elevada prevalência das demências, em particular da doença de Alzheimer, e o acentuado envelhecimento da população, que favorece o aumento das doenças neurodegenerativas, são evidências que levaram o Município de Oeiras a associar-se de forma determinada à constituição de respostas especializadas neste domínio. O CAFÉ MEMÓRIA é um exemplo de referência pelo caráter inovador que imprime ao seu modelo de intervenção, permitindo não só o apoio emocional aos cuidadores, em ambiente acolhedor e informal, como também uma intervenção direta com as pessoas com demência, envolvendo-as em atividades lúdicas e de estimulação cognitiva.

É com muito entusiasmo que a Câmara Municipal de Oeiras adere a esta iniciativa em parceria com a Associação Alzheimer Portugal, a Sonae Sierra, a APOIO e o Rotary Club de Algés, através da disponibilização de recursos humanos próprios que constituirão a equipa técnica do projeto. O CAFÉ MEMÓRIA de Oeiras será um recurso importante para a população oeirense, e representará certamente um acréscimo no bem-estar e qualidade de vida das pessoas com demência e de todos aqueles que de forma direta ou indireta com elas privam, em particular os seus cuidadores.”

Participante do CAFÉ MEMÓRIA Colombo

"Aqui temos ajuda e exemplos de como lidar com peripécias, como muitas vezes não sabermos onde é que ela mete as nossas coisas. Ao início é muito complicado: saber que era uma pessoa independente e deixa de ser dói muito e chega a magoar pelas atitudes que temos de tomar.”

José Maria Costa - Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo

“O fenómeno do envelhecimento é uma preocupação crescente em linha com o que ocorre a nível nacional. Associado ao envelhecimento, as doenças degenerativas têm vindo a aumentar de uma forma exponencial e com elevado impacto nos sistemas de saúde e segurança social, daí que a sociedade civil, em parceria com as organizações de saúde, tenham um olhar diferente e mais ativo sobre as causas e consequências deste flagelo de saúde pública dos países desenvolvidos.

Neste sentido, a criação de um CAFÉ MEMÓRIA no concelho de Viana do Castelo é de enorme importância, uma vez que pretende ser um local de encontro e partilha de experiências e vivências entre profissionais de saúde, parceiros sociais e cidadãos, tendo em vista o apoio emocional aos cuidadores e seus familiares, bem como o combate à estigmatização desta doença junto da comunidade local.

Além disso, torna-se relevante promover melhores níveis de literacia em saúde mental na população, no sentido de capacitar os cidadãos para o auto cuidado e a deteção precoce de problemas associados às doenças neurodegenerativas.”

Participante do CAFÉ MEMÓRIA Colombo

"Deu-me uma perspetiva diferente desta doença, o modo como lidar com as pessoas que a têm. O próprio convívio nestas sessões, que acho ótimo e do qual sinto a falta quando não posso vir.

Fiquei com outras bases, não só para mim, mas para aconselhar quem tem familiares com Alzheimer.

Os convidados que têm vindo e que tão úteis têm sido nas suas palestras.

Os testemunhos diferentes dos participantes e que fazem com que não nos sintamos sós."

Comendador Rui Nabeiro - Presidente da Associação Coração Delta

"Esta parceria é uma iniciativa extremamente positiva, pois eleva os níveis de qualidade de vida de muitas pessoas que sofrem com problemas de memória ou demência, dos familiares e cuidadores residentes em Campo Maior e nos concelhos limítrofes.

O Coração Delta associa-se a este projeto porque conhece a dura realidade de muitas famílias alentejanas. Acredito que todos temos um papel fulcral na sociedade – há sempre algo para fazer, por muito insignificante que a nossa contribuição pareça devemos vê-la como uma questão de compromisso, participação e coresponsabilização pela vida em sociedade.

A implementação do Café Memória em Campo Maior dinamizará e ajudará as pessoas afetadas, eliminando o duro estigma social e o isolamento a que estão sujeitas.

O objetivo desta parceria está em perfeita sintonia com os valores e com a missão que Associação Coração Delta defende. Esperamos que esta iniciativa, seja exemplo e vontade para mais instituições se unirem e defenderem esta causa por todo o país. A promoção do bem-estar das pessoas que sofrem este tipo de patologias deve ser uma preocupação nacional, pois é um problema de saúde pública relevante para Portugal."

Participante do CAFÉ MEMÓRIA Colombo

"A sessão do Café Memória é divertida, alivia o stress, ajuda-me a entrar numa nova semana com mais energia e faz-me pensar em dar mais valor a certas coisas da vida."

Ana Cristina Sanches e Andreia Cardoso - Alunas do Mestrado em Psicologia Social da do ISCTE

"Assim, que chegámos ao local estava ainda o Centro Comercial em silêncio, as lojas ainda fechadas, as luzes a meio brilho mas ao longe já se escutavam vozes e gargalhadas. Eram nove da manhã de sábado, véspera da celebração pascal, um dia de chuva e cinzento mas, naquele momento, o olhar daquelas pessoas bem vestidas, os seus sorrisos e abraços numa celebração de reencontro, como que de amigos que há muito não se veem, marcaram a sua primeira impressão em nós.

A sensação com que se fica é que tudo está planeado e todos sabem qual é o seu papel. Há um trabalho de equipa ao nível das técnicas e dos voluntários, e os participantes estão incluídos desde o primeiro momento. Sente-se a perspetiva humanista neste grupo de suporte, porque as atividades são feitas para e com os participantes e há partilha de informação, criando um sentido de pertença.

O tempo fugiu, passaram-se duas horas num ápice e, de repente, recolhiam-se abraços, distribuíam-se flores e sorrisos e o espaço esvaziou-se lentamente para dar lugar ao momento em que se começou a desmontar o palco da memória.

Mas aquelas duas horas naquele lugar criado com carinho e dedicação, serão transportadas por todos e materializar-se-ão sempre que nos lembrarmos delas."

Participante do CAFÉ MEMÓRIA Colombo

"Lido melhor com a doença e ajudo a minha mãe com mais qualidade.
Sinto mais alegria em viver, partilhando as minhas angústias."

Ana Paula Almeida - Jornalista

Chávena de Cristal

Um acordo entre um riso e um adeus,

uma música trincada entre duas bolachas a custo engolidas.

Uma lágrima no pires de um café salgado.

Finge-se, faz-se de conta que há tempo, muito tempo

até que a chávena arrefeça.

Desfaz-se o nó na garganta,

Compõe-se o nó da gravata, afinal foi tudo fácil!

Entre memórias

Entre um café e um sorriso

partiu-se um segredo,

diluiu-se uma história só nossa

Numa chávena de cristal!...

 

Maria Goreti Veiga - Voluntária

«No dia 5 de abril, em que o Café Memória fez um ano, assinalei a morte da minha mãe, que foi diagnosticada com Alzheimer aos 83 anos. Teria sido muito importante para mim ter podido frequentar o Café. Ter-me-ia ajudado muito, nos meus sentimentos de culpabilização e nas minhas falhas. Como voluntária, o Café Memória ajudou-me muito a “fazer o luto”. Levanto-me às sete da manhã de sábado para lá estar, num dia que podia ficar a dormir, mas não é um sacrifício. Vou com muito boa vontade e carinho. É uma coisa que vale a pena, saio de lá feliz. Consegue-se quase um milagre: no último a que fui, no Colombo, estavam numa mesa, às dez da manhã, a avó, os netos, os filhos… Sabia ao que ia, mas superou as minhas expectativas. Permitiu-me perceber o que tinha feito de bem e de menos bom. Pensei: “Eu passei por isto, outros estão agora a passar. Vou fazer diferente e ajudar outras pessoas". É uma terapia para mim, em que tenho a obrigatoriedade de ajudar os outros. E há momentos felizes: lá, as pessoas com a doença sorriem, divertem-se. E os familiares partilham alegrias e angústias e percebem que não estão sós.»

Anabela Lima - Participante

"O Café Memória fez-me sentir bem desde o primeiro encontro, vim de lá muito aliviada. É muito importante para nós cuidadores. O facto de não ser única, de poder partilhar experiências e saber como agir em alguns casos... Aprendo sempre algo, estou muito satisfeita por haver um projeto desta natureza."

Participante do CAFÉ MEMÓRIA Colombo

"Mudou a forma de entender e empatizar com a doença e cuidadores. Sou neta de uma doente de Alzheimer e quem me dera que o Café Memória existisse há anos! A formação e a partilha aqui feita é sem dúvida o melhor. Obrigada."

Ana Filipa Oliveira - Voluntária

“Perante o confronto com esta realidade há um novo olhar que é exercido. O voluntário internaliza a situação dos outros. E se numa primeira instância esse confronto é menos positivo – isso sucedeu-me uma vez –, tenho de lembrar-me de que estou ali com uma missão, a de tentar contribuir para o aumento da qualidade da vida da pessoa que está ao meu lado.”

Ana Pimentel - Voluntária

"Café Memória...o desafio!

... de um "estar com", sem saber "com quem"

... "do preparar para", "do esperar por..."

procurando responder àquilo que o outro precisa e vem à procura, num clima de:

confiança...alegria...descontração...envolvimento...jogo...troca e partilha...informação..., facilitador de um querer voltar, quer pelos participantes, presentes em grande parte dos encontros, quer pelos voluntários, cuja equipa também se mantém neste percurso.

Penso que esta forma de estar e interagir conduziu à solidez do projeto e criou condições para o estabelecimento de novas parcerias, possibilitando o alargamento do leque de respostas e participantes envolvidos. Congratulo-me por isso.

Um obrigado por me ter sido dada oportunidade de viver esta experiência.

Votos de continuidade crescente e longa deste projeto.

Para todos,

um abraço fraterno Ana Pimentel"

Elsa Monteiro - Diretora de Sustentabilidade da Sonae Sierra

“O nível de participação alcançado neste primeiro ano do projeto Café Memória constitui um importante estímulo à continuidade e alargamento do âmbito da iniciativa. A demência é um tema que afeta a comunidade e para o qual é necessária uma sensibilização mais ativa e um apoio sistemático. Estou confiante  de que proximamente poderão ser anunciadas novas parcerias para que o projeto chegue a outras regiões do país.”

João Carneiro da Silva - Presidente da Associação Alzheimer Portugal

“Um ano após o lançamento do Café Memória em Portugal, não restam dúvidas de que esta é uma iniciativa importantíssima, tanto para os cuidadores, como para as pessoas com Demência. Cada vez mais se torna fundamental a existência de respostas locais, de proximidade com as pessoas e a resposta positiva que recebemos dos participantes demonstra-nos que vale a pena unir esforços para que mais zonas do país, para além de Lisboa e Cascais, tenham também o seu Café Memória. Para a Alzheimer Portugal, esta é mais uma conquista importante para a nossa causa, que não seria possível sem o apoio de todos os parceiros envolvidos."

Margarida Pinto Correia - Embaixadora do Projeto Café Memória

«Esta experiência do Café Memória tem sido uma verdadeira viagem de partilha e de amor: ao partilharmos experiências, caminhos, dores e soluções encontradas, aproximamo-nos e "normalizamos" a nossa vida, o nosso caso. Poder partilhar e, com isso, "libertar" nos outros o seu mais íntimo anseio, percurso, vivência e medo, é um caminho necessário. A Demência em geral provoca enormes demências funcionais, emocionais, na vida das famílias e dos cuidadores: ficamos todos "doentes", satélites do doente propriamente dito. E este desvio da normalidade das nossas vidas, encontra depois pouco colo e poucas referências nos outros. Isso provoca isolamento, solidão, e uma bola-de-neve de dúvidas. É assim fundamental promover o encontro! Partilhar momentos, rir das estórias que vivenciámos, criar caminhos novos para encarar e enquadrar cá dentro, fundo em nós. Na nossa memória, no rosto dos outros, no que fica quando tudo o que conhecíamos acaba.

Parabéns, Café Memória, pela coragem de pôr de pé, manter, e promover a partilha. Pela criação do Espaço e do Tempo. Parabéns aos parceiros e apoiantes, por permitirem que aconteça. Parabéns aos voluntários, por quererem Estar. E aos familiares e cuidadores por partilharem, usufruírem, e se deixarem envolver. É urgente mais. Ainda bem que vamos a caminho...»

Filipa Cyrne de Castro - Voluntária

O Café Memória é um tempo de ouro - tempo para parar, tomar atenção, escutar, partilhar, aprender e....para RECEBER. Sem dúvida que o que recebo é muito superior ao que possa dar. É um sem fim de lições de vida. Entre elas, a importância de estarmos gratos pelo que temos, aproveitar o presente e olhar sempre para o nosso lado. Obrigada Café Memória e a todos os que nele participam!"

Fátima Caetano - Cuidadora

"Antes de vir, achava que enlouquecia. Não compreendia a maioria das coisas que ela [a mãe] fazia. Estava negação, como uma avestruz. Aprendi que não devo ter vergonha, que é uma doença como outra."

Depoimento publicado no Jornal de Notícias de 02‐03‐2014.

Alberto e Tommaso Veronesi - Participantes

"Ela [a mãe] adora vir cá. Elogia a simpatia e o convívio. É a única altura do mês de verdadeiro entretenimento para ela. Quando começa a sentirr‐se observada, fica em stress e bloqueia. Aqui, vemo‐la verdadeiramente descontraída."

Depoimento publicado no Jornal de Notícias de 02‐03‐2014.

Teresa Castro Caldas - Voluntária

"Ser voluntária é receber muito mais do que se dá. É receber calor humano, carinho, simpatia, generosidade. perceber que no mundo existimos como um todo, e para fazermos desse todo uma coisa um bocadinho melhor podemos dar uma pequena parte de nós e receber tanto em troca!"

Filomena Cunha - Voluntária

"Ser voluntária é receber muito em troca de muito pouco. Quando era pequena sempre me disseram que sem esperar nada em troca recebe a dobrar. Foi isso que encontrei no voluntariado; em troca de algumas recebo um tesouro enorme de calor humano, de senᦔr que durante algumas horas faço diferença na vida alguém.""Ser voluntária é receber muito em troca de muito pouco. Quando era pequena sempre me disseram que sem esperar nada em troca recebe a dobrar. Foi isso que encontrei no voluntariado; em troca de algumas recebo um tesouro enorme de calor humano, de senᦔr que durante algumas horas faço diferença na vida alguém.""Ser voluntária é receber muito em troca de muito pouco. Quando era pequena sempre me disseram que sem esperar nada em troca recebe a dobrar. Foi isso que encontrei no voluntariado; em troca de algumas recebo um tesouro enorme de calor humano, de sentir que durante algumas horas faço diferença na vida alguém."

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