Maria Goreti Veiga

Voluntária «No dia 5 de abril, em que o Café Memória fez um ano, assinalei a morte da minha mãe, que foi diagnosticada com Alzheimer aos 83 anos. Teria sido muito importante para mim ter podido frequentar o Café. Ter-me-ia ajudado muito, nos meus sentimentos de culpabilização e nas minhas falhas. Como voluntária, o Café Memória ajudou-me muito a “fazer o luto”. Levanto-me às sete da manhã de sábado para lá estar, num dia que podia ficar a dormir, mas não é um sacrifício. Vou com muito boa vontade e carinho. É uma coisa que vale a pena, saio de lá feliz. Consegue-se quase um milagre: no último a que fui, no Colombo, estavam numa mesa, às dez da manhã, a avó, os netos, os filhos… Sabia ao que ia, mas superou as minhas expectativas. Permitiu-me perceber o que tinha feito de bem e de menos bom. Pensei: “Eu passei por isto, outros estão agora a passar. Vou fazer diferente e ajudar outras pessoas". É uma terapia para mim, em que tenho a obrigatoriedade de ajudar os outros. E há momentos felizes: lá, as pessoas com a doença sorriem, divertem-se. E os familiares partilham alegrias e angústias e percebem que não estão sós.»